Artigos
Filantropia 2.0
Trabalhamos online. Fazemos compras e movimentações bancárias online. Estudamos online. Conversamos online, e há até mesmo quem faça sexo online. No mundo de hoje, com o avanço da tecnologia e a popularização da internet, não há nada que fazemos no mundo "real" que não possa ser reproduzido no mundo digital - muitas vezes, com características bem diferentes das que estamos habituados ao nosso cotidiano. A filantropia e a caridade não fogem à regra: se no mundo real podemos ceder dinheiro e trabalho para ajudar instituições, na web podemos ceder bytes e cliques em prol de causas como a cura do câncer infantil ou a economia de energia elétrica. Com a vantagem de que, para quem tem o tempo apertado, os processos para a realização dessas "doações" virtuais são simples e geralmente requerem apenas um clique ou a instalação de um pequeno software na máquina. Um esforço mínimo, mas que pode fazer uma enorme diferença para quem dele se beneficia.
Um dos projetos mais ousados de Filantropia 2.0 é o World Community Grid. Lançado pela IBM em 2004, o projeto tem a missão de criar o maior supercomputador do mundo para ser utilizado em pesquisas como a cura do câncer, combate ao vírus H1N1 e estudo do clima de regiões africanas. Esse supercomputador, por sua vez, é criado a partir dos bytes cedidos pelas máquinas dos voluntários inscritos no programa. Ao inscrever-se, o voluntário deve instalar um pequeno framework chamado BOINC que analisa a performance de sua máquina e utiliza parte da memória ociosa para processar os dados das pesquisas que fazem parte do World Community Grid. Se um voluntário está utilizando apenas 60% da capacidade de seu computador, o BOINC aplica os outros 40% nas pesquisas envolvidas no projeto. Dessa forma, organizações filantrópicas e não-governamentais podem utilizar um megaprocessador de dados (que normalmente custaria bilhões de dólares e estaria fora do alcance dessas organizações) para concluir projetos fundamentais às causas sociais.
A IBM, porém, não é a única empresa a adotar a filantropia digital. O Greenpeace , famosa organização de ativistas ecológicos, também se tornou especialista em desenvolver ações de colaboração e conscientização a serem realizadas no mundo digital. Uma das mais famosas, o Black Pixel, tem por objetivo estimular a economia de energia durante o uso do computador a partir da instalação de um pequeno pixel negro na máquina do usuário. O pixel ainda oferece estatísticas sobre a economia de energia durante o tempo de uso. Outra ação do Greenpeace que rapidamente se transformou em marketing viral foi o hotsite Send a Whale. Nele, cada usuário pode criar uma baleia de origami personalizada para aderir ao combate à caça de baleias no Japão. O número de baleias criadas na campanha servirá de alerta para o primeiro ministro do Japão, Taro Aso, sobre a postura do mundo em relação à prática da caça e extermínio de baleias indiscriminadamente realizada no Mar do Japão.
No Brasil, organizações como a S.O.S. Mata Atlântica já aderiram à Filantropia 2.0. O projeto Click Árvore, criado em parceria com o Grupo Abril e patrocínio do banco Bradesco, permite ao usuário plantar uma muda em prol do reflorestamento da Mata Atlântica com apenas um clique. Usuários que desejarem uma maior colaboração podem fazer doações de dinheiro para a plantação de mais mudas ou mesmo enviar projetos de reflorestamento de determinada área, recebendo da ONG a quantidade de mudas solicitadas caso o projeto seja aprovado.
Na era da web 2.0 e da colaboratividade, onde cada vez mais usuários unem esforços em prol de uma determinada causa, nada mais justo que as causas sociais e filantrópicas também ganhem seu espaço. Afinal de contas, na maioria dos casos, o esforço é mínimo e os benefícios são gigantescos não só para as organizações envolvidas, mas para toda a comunidade mundial
(por Heloisa Biagi)






